sábado, 26 de março de 2011

O ERRADO DA MANEIRA CERTA

Vou citar aqui o blog maravilhoso da Beatriz del Picchia e da Cristina Balieiro - O Feminino e o sagrado:

"quando a gente tenta fazer um Caminho que não é o nosso, as coisas tendem a dar errado – ou, ainda pior, a dar certo da maneira errada."

Elas escreveram isso estes dias e materializaram verbalmente algumas questões que mordiam meu calcanhar já faz um tempo:

Primeira: Que é possível estar no caminho errado, mesmo quando tudo dá certo.
* O que é realmente bem pior pois fica mais difícil de corrigir o rumo.
Mas como, se dá tudo certo, as coisas estão erradas? A resposta é: Porque não se está feliz, pleno.
Porque se chegou aonde se queria chegar e não se está feliz, e aquilo que se desejou com tanto fervor e que se perseguiu com tanto empenho não foi capaz de manter alguma satisfação que durasse mais que 2 minutos...

Segunda: Que é possível chegar ao desejado a partir de um erro.
Um maravilhoso erro que nos faz saltar muitas casas para frente e atingir não o nosso objetivo, mas um lugar muito melhor e mais interessante do que aquele que desejávamos na nossa inteligência de formigas prepotentes...

Voltamos `aquela questão: É mais importante o objetivo ou o caminho para chegar lá?

AMA TEUS INIMIGOS PORQUE ELES SÃO OS INSTRUMENTOS DO TEU DESTINO

Joseph Campbell in O poder do mito.

domingo, 20 de março de 2011

VOCALIZE SEUS SENTIMENTOS!

"Querida, você é transparente, cristalina. Você não pode continuar assim.
As pessoas olham prá você e sabem o que você está sentindo.
Quando elas não sabem você ainda faz questão de dizer!
As pessoas tem certeza do seus sentimentos e de como você vai agir...elas tem muita segurança...
Isso é errado porque te torna muito vulnerável.
Você precisa se proteger..."


Quando eu escutei isso de uma terapeuta, que diga-se de passagem me ajudou bastante e não era uma incompetente, fiquei imaginando que esse discurso era exatamente o que se espera de nós no mundo atual, e ela de alguma maneira estava querendo me inserir socialmente e me poupar de penas futuras.

Uma vez crianças, transparentes e cristalinos, vamos crescendo e escutando:

"Proteja-se."
"Camufle seus sentimentos."
"Use a incerteza sobre quem você é e como você se sente para estar à frente do outro, para dominá-lo, subjugá-lo."

Lá pelas tantas...nas estradas da vida, percebemos que ninguém nos conhece, nem nós mesmos, nem sabemos das nossas virtudes e nem das nossas fraquezas; e que estamos sós, emparedados, cimentados na nossa armadura de proteção. Então passamos a fazer cursos, terapias e massagens e o diabo-a-quatro prá quebrar a nossa casca dura, que empedrou pela sobreposição de camadas ao longo de anos...um verdadeiro trabalho arqueológico!

Eu sempre tive uma certa dificuldade de mascarar meus sentimentos e isso era um demérito social, digamos assim...
A camada que separa o meu interior do que eu projeto para as pessoas exteriormente é fina, mole e transparente. Se eu estou alegre eu canto, rio, brinco, se estou chateada com algo, fico mofina, está estampado na minha cara e eu não tenho receio de dizer o porquê.
Mas também se eu não quiser dizer eu digo: "Eu não quero falar sobre isso agora", ou "Eu não quero falar disso nunca"...

Parece coisa de criança... mas é!
Precisamente: coisa de criança.
Não ter vergonha de vocalizar!!!
Expor o que se está sentindo, da mesma forma que se expõe as necessidades básicas, "estou com fome", "estou com sono", "preciso ir ao banheiro"...


Diversamente do que pregam por aí, sempre gostei de sinalizar prás pessoas como eu estou me sentindo em relação às coisas porque acredito que facilita, afinal ninguém é adivinho, vidente...

E as pessoas podem achar que é com elas o problema e simplesmente não é...Porque então não aliviar o outro de mais uma preocupação?
Ou porque não dar ao outro a satisfação de saber que algo que ele fez nos deixou feliz, foi importante pro nosso crescimento, sei lá...
Ou o contrário, porque não deixar claro pro outro que é ele o responsável pelo nosso pesar, para que ele se corrija, ou aceite por fim ser catapultado das nossas vidas por justa causa?

Quanto a isso me tornar vulnerável, desprotegida...
Para quê você precisa estar protegida se não há um conflito em vista?
Ou se você pode desarmá-lo antes, exteriorizando seus sentimentos e posicionamentos?
E se você for atingido? E se cair? Qual é o problema nisso?
Quantas vezes nós caímos?
Quantas vezes nos levantamos e retomamos a caminhada?


A pior dor é aquela de quem não sente nada, nem dor.


* Uma água-viva não se espatifa em mil pedaços, ela é mole e se você enfia cruamente o dedo dentro dela e aperta, quando o dedo é retirado ela volta a sua forma antiga com menos cicatrizes do que quem ousou importuná-la.

FELICIDADE = SABEDORIA

domingo, 13 de março de 2011

A INVEJA DOS HOMENS...

Esses dias eu me lembrei de um trecho da biografia da Danuza Leão que saiu nos jornais na época do lançamento. Eu já procurei e procurei prá transcrever, mas era algo assim:
Ela falava dos homens com quem se relacionou e de Samuel Wainer em particular. Acostumada a chamar atenção pela sua beleza e por ser musa da sua época, ela falou que ele foi o único dos homens com quem se relacionou que não se ressentiu de ela chamar atenção "demais". Segundo ela, ele colocava os holofotes e falava " brilha!".

Pois é, raro homem esse...
Alma Mahler que o diga... já que o dito compositor só concordou em casar com ela se ela abrisse mão de seus talentos musicais prá sempre. E dizem que ela era tão ou mais talentosa que ele...

Não sei se os homens acossados pelos progressos do feminismo, ou pelas posições em que a mulher vem abrindo espaço, muitas vezes a machadadas o que não é nem um pouco digno de nós, muitas vezes com a persistência e suavidade que nos é característica, estão nos vendo como concorrentes ao invés de nos ver como companheiras.
Se...sempre nos viram e não nos apercebíamos desta violência silenciosa que nos colocava sempre à espera deles- nas coxias da vida.
Se... nunca sequer puderam imaginar que nós, em meio a menstruações dolorosas e variações hormonais, administração de casa, de filhos, de empregados, pudéssemos desejar mais algumas outras ocupações na vida, entre elas as deles como ser médica, arquiteta, engenheira e quiçá presidenta! Uau!
Se... enfim...mistério...

Mas a questão é que: sejam quais forem os motivos, a inveja dos homens existe.
E ela corre como um desses fios de água subterrâneos, é vagaroso e persistente...
Como um ruído baixinho, incessante e enlouquecedor...

Ela existe quando ele se separa porque a mulher ganha mais ou é mais bem sucedida na carreira.
Ela existe quando ele pede que ela troque de roupa por uma menos chamativa quando ela vai sair com ele.
Ela existe quando ele pede que ela deixe de usar maquiagem porque assim ela fica "muito mais linda". Ou quando ele pede prá ela deixar de fazer as unhas ou ir ao salão cuidar do cabelo...
Ela existe também quando ele fica irritado por ela se entrosar mais com os amigos dele que ele próprio e quando ela vira o centro das atenções, seja da festa, seja do almoço, seja porque ela é divertida, espirituosa, seja porque ela é bonita ou excêntrica na aparência.

Parece que o homem encara com mais naturalidade o "adversário" masculino, que contra esse adversário ele usa das regras cavalheirescas dos romances de cavalaria.
Mas no caso das mulheres ele parece não poder assumi-la como igual com quem se concorre, principalmente se ela é sua mulher...
Seria se igualar a uma "mulherzinha", ainda que a sua, e daí vem o jogo silencioso e dissimulado de destruição pelas beiras... "Meu amor eu te amo muito, mas te amo mais se você se mantiver calma e contida escondida atrás de mim..."

As mulheres sempre se regozijaram com o sucesso de seus homens como se fosse o seu.
Porque os homens não podem fazer o mesmo?
Mirar os holofotes em nós, jogar as flores e dizer: - Brilha!!!


Tem gente que gosta de cuidar das coisas atrás das cortinas, tem gente que gosta de ocupar o palco...todos os lugares tem seus prós e contras...
Nem todo homem tem vocação prá brilhar, assim como nem toda mulher...
Nem todo dia é dia de brilhar...mas tem dia que você quer sim, está sim mais iluminado!

Eu gosto de brilhar, às vezes sem querer, às vezes querendo... mas o fato é que eu, embora não seja nenhuma top model e como tantas mulheres maravilhosas que eu conheço, brilho.
E poucos homens na minha vida se sentiram à vontade com isso.
Difícil era conviver com a cara amarrada deles cada vez que eles se sentiam preteridos pelo mundo...
Eu quero é um homem que mire os holofotes em mim e diga:
Brilha nega!!!!!! com todo o coração.

terça-feira, 8 de março de 2011

O MEU MEDO É NÃO SER GRANDE O SUFICIENTE COMO O MEU DOM.

RESPIRE, BATA OS PÉS, BATA OS BRAÇOS, E TUDO JUNTO!

Pessoas contam, um, dois, três...mil.

Prá mim sempre foi um desafio: somas, subtrações, multiplicações e divisões. E fiquemos por aí porque o resto mesmo é que eu não aprendi.
Sempre me justifiquei desta esquivança dizendo que aquela chatice não me interessava.E não me interessava mesmo. Mas outras coisas me interessavam, e elas usavam os números e a capacidade de contar...

Eu nunca fui boa em decorar qualquer coisa que fosse.
Começou com a mão direita, e a mão esquerda. Passou pela tabuada, atingindo então as famigeradas fórmulas de física e matemática do vestibular; e um dia eu disse: acabou, não decoro mais nada.

Eu sempre dei um jeito de fazer a maioria das coisas sem decorar e sem contar... eu contornava o problema e o que não dava prá fazer mesmo eu desistia, porque no fim das contas mesmo não dá prá ser bom em tudo.

Porém das muitas coisas que eu queria aprender tais como dança ou música pressupunham eu identificar rapidamente qual a direita e a esquerda e decorar os movimentos e por isso eu ia protelando...

Segundo Marie- Louise von Franz:
"As crianças, como os adultos, tendem a fazer com maior frequência o que podem fazer bem e a evitar o que não podem.[...]
É natural adiar ou transferir para outras pessoas as coisas nas quais não nos sentimos superiores. Em decorrência desse comportamento natural, a unilateralidade vai sempre aumentando[...]
O ambiente reforça as tendências unilaterais existentes, as chamadas aptidões, e há portanto um desenvolvimento da função superior e uma lenta degeneração do outro lado da personalidade."

O que eu quero dizer é que preferimos, por uma questão de conforto, ou de acomodação, fazer sempre aquilo que fazemos melhor. O resultado disso é que nos tornamos especialistas em algum conjunto de atividades e bárbaros nas demais.

Esse ano eu decidí quebrar esse ciclo, fazer aquelas coisas que eu sempre quis fazer mas que digamos assim "não eram o meu forte" como a dança, os batuques, o canto.
Eu posso não vir a ser uma ótima bailarina ou uma boa música, mas agora posso ver que posso conseguir dançar direitinho, assim como posso tocar meu tambor honestamente.
E mais do que aprender a dançar e aprender a tocar ou a cantar eu posso equilibrar minhas capacidades.

Essas atividades em que eu não "reinava" habitualmente estão me fazendo aprender muito:

- Primeiro humildade, de pedir ajuda, de aceitar ser ajudado e corrigido quantas vezes forem necessárias.
- Compaixão pelas minhas dificuldades, e por conseguinte pelas dificuldades dos outros. Alteridade como diz uma amiga, ver que o outro não é você e que as dificuldades dele também
são sinceras. O que prá mim é tão difícil é tão fácil pro colega ao lado...
- Disposição, disciplina e treino.

E parece que o esforço para aprender, e o equilibrio que advém de desenvolver uma função que não é da nossa natureza acabam retornando para aquela função em que somos os melhores. Como? Atráves do respeito pelas nossas capacidades natas, e a percepção da necessidade de aproveitamento delas e desta facilidade que elas tem prá nós, que é uma benção individual e singular.

domingo, 6 de março de 2011

APOLÍNEOS X DIONISÍACOS

Eu gosto da precariedade.
A perfeição é sempre cansativa, previsível...
As minhas fragilidades sempre foram as minhas maiores forças...
E os meus maiores acertos surgiram de erros, falhas...
Eu gosto do que é quebradiço e rugoso em um mundo liso e plástico...
O imperfeito, o humano sempre me emocionou mais que o apolíneo...
" Continue errando..." me lembra a voz da narradora da Clarice em A legião estrangeira...

TRABALHAR COM ALEGRIA E AMOR...

Eu sempre ouvi dizerem, principalmente prá mim que levo a vida a cantar:

"A vida é dura..."
" A vida não é fácil não..."
" A vida não é mole..."
" É preciso dar duro, ralar..."

Mas esses dias as seguintes frases me fizeram refletir:

"O sucesso é a capacidade de realizar sem esforço nossos desejos."
* Sem esforço aqui significa sem trabalho? Não, mas significa sem sofrimento.

"Em termos espirituais o sucesso é medido pelo grau de eficiência e de ausência de esforço com que nós operamos na cocriação com o universo."
* Uma cocriação é uma criação em conjunto. Então a criação do meu sucesso não é apenas uma criação minha, mas também uma dádiva do universo, das conjunturas, de Deus...ou de outro nome que você queira chamar...
Existiriam 2 forças então, você pode nadar contra a corrente ou ajudado por ela.

"Trabalho árduo, dificuldades e frustração são o oposto daquilo que os sábios ancestrais ensinaram[...]"
* Porque alguém dedicaria seu tempo e seu esforço para se chatear?
O caminho tem que ser fonte de prazer também porque o objetivo é apenas um ponto em uma sucessão de pontos justapostos...


Porque a idéia "trabalhar com intensidade" se confunde com a idéia "trabalhar duro, pesado"?
Porque não, trabalhar com alegria, leve, "vivace"?
Porque a idéia de que o trabalho é fruto de dor?
Assim como parir seria fonte de sofrimento?

*e daí o nome- Moacir o filho da dor... Quem quer ter um filho da dor? Eu quero ter um filho do amor, da felicidade!

Porque sempre suor e lágrimas?
E se esquecem que se sua e se chora também de alegria e de prazer intenso?


Dizem que prá ser adulto o sujeito deve aceitar que as coisas são como são, que ele não pode mudá-las, que não se pode ter prazer o tempo todo. ok.
Dizem que trabalho é pra dar trabalho, não prazer. ok.
Dizem também que temos que aceitar esses fatos, porque afinal é o que todo mundo faz, e isso é um sinal de crescimento: resignação. ok.


Aí eu me pergunto: O que fazer então? O que resta ? Porque se vive?
Prá trabalhar sofridamente como uma besta de carga e consumir como um porco ávidamente?

Desculpe mas eu quero prazer a cada respiração minha. E mesmo que eu não consiga, busco essa satisfação em cada pequeno segundo do dia, desesperadamente.
Talvez eu não me contente em apenas parecer viva, talvez eu queira mesmo estar viva.
Então como o meu trabalho não vai ser parte disso?

ESSENCIAL


OS LIVROS SÃO INFINITOS EM NÚMERO, E O TEMPO É CURTO.
PORTANTO, O SEGREDO DO CONHECIMENTO É RECOLHER O ESSENCIAL.

* Swami Vivekananda

SEJA UM PÉSSIMO CLIENTE

- Nunca compre por impulso.
Boa parte das compras emocionais são "encalháveis" em um prazo bem curto. É com isso que a indústria do consumo joga sempre, com as suas emoções, com os seus desejos.
Na verdade somos tão vulneráveis como uma criança de 5 anos, porque esses apelos mexem com o nosso lado irracional.

- Compre apenas o necessário.
Não ceda às pressões dos vendedores, eles estão lá para isso mesmo: vender, o que quer que seja prá quem quer que seja.
Lembre-se: Quem sabe das suas necessidades é você.

- Seja exigente.
Seja específico. É exatamente aquilo que você quer?
Seja minucioso. Não tenha vergonha da vendedora, faça uma "vistoria" daquilo que você pretende levar prá casa. Olhe todos os detalhes, de todos os ângulos, vire do avesso, olhe sob a luz branca, sob a luz natural...

- Duvidas? Não leve. Dê uma desculpa. Dê uma volta, dê duas, dê três.
Você corre o risco de "perder" a peça, corre, mas ao mesmo tempo reduz a possibilidade de levar mais uma tranqueira cara prá casa.

- Feng Shui: Só compre uma coisa nova quando se livrar de uma velha.

- Não confunda nunca: vendedor não é amigo.

Por mais bacana que seja um vendedor e por mais tempo que vocês se conheçam, ele está lá para vender, é disso que ele vive, ok? Lembre-se sempre disso.

*Essas são dicas de alguém que já consumiu demais um monte de objetos caros e desnecessários, e que agora pensa muito bem antes de levar algo prá casa.

LITERATURA E A BUSCA DO INEFÁVEL

Eu procurei a literatura para me encontrar nela.

Eu procurei alguém que conseguisse verbalizar aquilo que prá mim era, naquele momento da juventude e ainda hoje, impossível de traduzir em palavras.

Na verdade eu buscava alguém que falasse de mim melhor que eu mesma.
Se eu não conseguia me definir ou me descrever, alguém tinha que conseguir...

Ainda hoje, tanto tempo passado da minha descoberta, quando preciso de mim, quando me perco de mim, volto prá ela.
E ela sempre me acolheu, e ela nunca me decepcionou. Sempre me trouxe as respostas, não exatamente as que eu buscava, mas as que eu precisava prá sobreviver e prosseguir.

AMIGOS - ARE YOU AVAILABLE ?