As pessoas más são aquelas que fazem as demais sofrerem, ou por palavras, ou por atos, ou pela sua omissão, ou pela sua presença, não importa... há sempre um modo de tortutar o outro, negando-lhe as expectativas... seja lá quais forem.
Mas todos fazemos os outros sofrerem em algum momento ou em outro da vida...a diferença seria que na maioria das vezes fazemos sem querer, e nos desesperamos quando vemos a dor do outro...
Às vezes, de vilania, fazemos por querer, mas esse "fazer por querer" nos come por dentro e da próxima vez tentamos não fazer de novo, porque ser mau dói.
Todo mundo justifica suas vilezas afirmando que já foi martirizado alguma vez sem compaixão, o que não é justificativa de nada, na verdade.
Os maus vão além, prá eles o mundo é sempre duro e que as pessoas são sempre cruéis, e é por isso que eles são como são e fazem o que fazem... A única compaixão possível à eles é aquela por sí proprios. Mas eles sofrem...
E é aí que eu quero chegar:
SER MAU DÓI. É impossível ser feliz sendo mau...
Não deveria ser assim, afinal eles estão fazendo o que querem, estão punindo o resto da humanidade das crueldades de que foram alvo...e geralmente são bem-sucedidos...
Todas as pessoas ruins que eu conheço sofrem muito mais do que suas vítimas...tem uma vida miserável do ponto de vida emocional, espiritual... sua pele é opaca e não refelete a luz...
Eles tentam zerar o tempo todo um jogo que prá eles sempre volta pro negativo... estranho, não?
Parece uma daquelas punições dos deuses gregos, como ter fome e nunca poder comer, ou ter sede e nunca poder beber, ou empurrar uma pedra subindo uma colina e lá de cima a pedra despencar e ter que fazer tudo de novo infinitas vezes...
terça-feira, 8 de novembro de 2011
terça-feira, 4 de outubro de 2011
HOMO OECONOMICUS
"O Homo oeconomicus como tipologia geral e abundante é um acontecimento recente na história da civilização."
"Por que tantas pessoas com várias possibilidades de escolha elegem o comércio, as atividades mercantis, as profissões lucrativas e o trabalho remunerado como caminho prioritário de suas vidas?"
"Do ponto de vista histórico, a geração de riqueza material como via existencial da grande maioria da população é um fenômeno da modernidade."
"Na Antiguidade mediterrânea, a honra e a glória guerreira foram os motivos dominantes, como foram a exaltação espiritual e o amor cortesão na Idade Média ou a fama no Renascimento."
"O sacrifício vocacional é fácil de ser entendido quando a sobrevivência e a subsistência estão em jogo...
...mas a sensação de ter perdido o rumo da própria vida em algum ponto da sua história individual é tão frequente em pessoas com boa situação econômica, que tem e sempre tiveram a sobrevivência e o bem-estar assegurados..."
"As complexidades afetivas do dinheiro remetem inevitavelmente ao problema da felicidade e da busca de plenitude na vida."
"A maioria das pessoas tende a seguir a linha de menor resistência e evitam enfrentar conscientemente os problemas centrais da existência."
"Há uma tendência natural em fugir do conflito. Para o homem moderno, as atividades lucrativas e o dinheiro se constituíram no instrumento com o qual o burguês poderia silenciar os medos e os temores mais gritantes da vida, o produto cultural mais depurado para afastar as sombras do abismo em que submergiria caso se deixasse levar pela vivência extrema dos outros impulsos e paixões ocultos dentro de sí."
* Pois é, essas observações são do livro já citado: Dinheiro- Sanidade ou loucura de Axel Capriles.
É engraçado falar disso novamente mas o livro é tão cheio de observações pertinentes... principalmente nessa época em que o furor consumista por conta do Natal já está se instalando...
Esses dias lí um artigo no Correio Brasiliense em que o autor defendia a idéia de que 70% do que possuímos é desnecessário. Olhei em volta e concluí que o pior é que é verdade...
"Por que tantas pessoas com várias possibilidades de escolha elegem o comércio, as atividades mercantis, as profissões lucrativas e o trabalho remunerado como caminho prioritário de suas vidas?"
"Do ponto de vista histórico, a geração de riqueza material como via existencial da grande maioria da população é um fenômeno da modernidade."
"Na Antiguidade mediterrânea, a honra e a glória guerreira foram os motivos dominantes, como foram a exaltação espiritual e o amor cortesão na Idade Média ou a fama no Renascimento."
"O sacrifício vocacional é fácil de ser entendido quando a sobrevivência e a subsistência estão em jogo...
...mas a sensação de ter perdido o rumo da própria vida em algum ponto da sua história individual é tão frequente em pessoas com boa situação econômica, que tem e sempre tiveram a sobrevivência e o bem-estar assegurados..."
"As complexidades afetivas do dinheiro remetem inevitavelmente ao problema da felicidade e da busca de plenitude na vida."
"A maioria das pessoas tende a seguir a linha de menor resistência e evitam enfrentar conscientemente os problemas centrais da existência."
"Há uma tendência natural em fugir do conflito. Para o homem moderno, as atividades lucrativas e o dinheiro se constituíram no instrumento com o qual o burguês poderia silenciar os medos e os temores mais gritantes da vida, o produto cultural mais depurado para afastar as sombras do abismo em que submergiria caso se deixasse levar pela vivência extrema dos outros impulsos e paixões ocultos dentro de sí."
* Pois é, essas observações são do livro já citado: Dinheiro- Sanidade ou loucura de Axel Capriles.
É engraçado falar disso novamente mas o livro é tão cheio de observações pertinentes... principalmente nessa época em que o furor consumista por conta do Natal já está se instalando...
Esses dias lí um artigo no Correio Brasiliense em que o autor defendia a idéia de que 70% do que possuímos é desnecessário. Olhei em volta e concluí que o pior é que é verdade...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
PSICOPATOLOGIAS MONETÁRIAS...
Esses tempos atrás ao observar as pessoas em geral percebí o quanto o dinheiro influencia a vida delas - ou de todos nós. Não é apenas uma questão de pouco dinheiro ou de muito dinheiro, de tê-lo ou não tê-lo. Foi ao perceber que muitas vezes a presença do dinheiro complica a vida de determinadas pessoas, mais do que simplifica, que passei a analisar com mais atenção o fenômeno, e descobrí que a maioria dos sujeitos não sabe se relacionar com o dinheiro de forma saudável- ou seja usando-o para aquilo que ele foi criado: como meio de troca, uma espécie de recipiente vazio. Das muitas coisas que lí sobre o dinheiro nessa minha busca de entendimento uma das melhores foi o Livro de Axel Capriles, Dinheiro - Sanidade ou loucura?, aí vão umas considerações muito interessantes:
"A psicopatologia monetária molda desde os acontecimentos banais da vida cotidiana até os valores e significados culturais profundos."
"O complexo do dinheiro é, em definitivo, o grande tema da psicologia contemporânea, uma poderosa dominante psíquica com a qual os analistas e psicoterapeutas têm que aprender a lidar inevitavelmente [...] A exploração da vida financeira de um paciente é tão necessária como a análise da infância, a que a nossa obsessão biográfica tem dado tanto peso. Na prática psicoterapeutica de todos os dias, o dinheiro é uma presença contínua. É o fio condutor das patologias e dos complexos familiares, é o veículo que dá continuidade às paixões, de geração em geração."
"O uso emocional do dinheiro aparece em quase todos os disturbios mentais."
"Nos casos de mania surgem com frequência delírios demenciais de grandeza e riqueza. O doente eufórico se sente capaz de realizar os mais arriscados negócios e as mais extraordinárias transações milionárias [...] Os paranóicos escondem o dinheiro e vivem obcecados e acossados pelo temor de alguém queira roubá-lo.
...............................................................................................................................................................
As taras monetárias estão presentes em cada tipologia caracteriológica: no avarento, no tacanho, no perdulário, no jogador, no exibicionista, no sonhador, no negociante, no colecionador."
"Cada tipo de personalidade, cada organização de caráter expressa uma dinâmica psíquica diferente, uma constelação sui generis do complexo monetário [...]
As finanças tecem silienciosamente intrincados contratos interpessoais, demarcam territórios e fronteiras que nos prendem e nos violentam de modo dissimulado [...]
O orçamento monetário incomoda a sexualidade e o casamento. É parte da manipulação, do domínio e do poder sexual nas relações interpessoais. [...] Os assuntos financeiros complicam o trato com os amigos, os laços afetivos do casal, os vínculos de parentesco e as relações entre pais e filhos.[...]
É, de fato, o caminho de entrada mais direto para as zonas escuras da personalidade."
"A idéia de uma culpa velada e um desprezo pelo dinheiro que se insere no mais profundo inconsciente coletivo do latino americano [...] Se algo que desejo (porque gosto e me dá prazer) também me incomoda ( já que inconscientemente me produz culpa e desdém), quando o obtenho, minha tendência será imediatamente usá-lo, ou, fazê-lo desaparecer. Tentarei me desfazer dele."
"A psicopatologia monetária molda desde os acontecimentos banais da vida cotidiana até os valores e significados culturais profundos."
"O complexo do dinheiro é, em definitivo, o grande tema da psicologia contemporânea, uma poderosa dominante psíquica com a qual os analistas e psicoterapeutas têm que aprender a lidar inevitavelmente [...] A exploração da vida financeira de um paciente é tão necessária como a análise da infância, a que a nossa obsessão biográfica tem dado tanto peso. Na prática psicoterapeutica de todos os dias, o dinheiro é uma presença contínua. É o fio condutor das patologias e dos complexos familiares, é o veículo que dá continuidade às paixões, de geração em geração."
"O uso emocional do dinheiro aparece em quase todos os disturbios mentais."
"Nos casos de mania surgem com frequência delírios demenciais de grandeza e riqueza. O doente eufórico se sente capaz de realizar os mais arriscados negócios e as mais extraordinárias transações milionárias [...] Os paranóicos escondem o dinheiro e vivem obcecados e acossados pelo temor de alguém queira roubá-lo.
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As taras monetárias estão presentes em cada tipologia caracteriológica: no avarento, no tacanho, no perdulário, no jogador, no exibicionista, no sonhador, no negociante, no colecionador."
"Cada tipo de personalidade, cada organização de caráter expressa uma dinâmica psíquica diferente, uma constelação sui generis do complexo monetário [...]
As finanças tecem silienciosamente intrincados contratos interpessoais, demarcam territórios e fronteiras que nos prendem e nos violentam de modo dissimulado [...]
O orçamento monetário incomoda a sexualidade e o casamento. É parte da manipulação, do domínio e do poder sexual nas relações interpessoais. [...] Os assuntos financeiros complicam o trato com os amigos, os laços afetivos do casal, os vínculos de parentesco e as relações entre pais e filhos.[...]
É, de fato, o caminho de entrada mais direto para as zonas escuras da personalidade."
"A idéia de uma culpa velada e um desprezo pelo dinheiro que se insere no mais profundo inconsciente coletivo do latino americano [...] Se algo que desejo (porque gosto e me dá prazer) também me incomoda ( já que inconscientemente me produz culpa e desdém), quando o obtenho, minha tendência será imediatamente usá-lo, ou, fazê-lo desaparecer. Tentarei me desfazer dele."
domingo, 24 de julho de 2011
RELAÇÕES DE PODER...QUEM É OPRIMIDO, QUEM É OPRESSOR?
Em algum lugar do "Microfísica do Poder"- coletânea de artigos de Michael Foucault, ele trata das relações de poder que vão além daquelas institucionais (do aparelho do estado: pátria, família, religião, escola ...)
Foucault desprende-se da ingenuidade dos marxistas que afirmavam haver oprimidos e opressores, sempre numa relação vertical de coação e com locais fixos dentro da pirâmide social.
"Dizendo poder, não quero significar 'o Poder', como conjunto de instituições e aparelhos garantidores da sujeição dos cidadãos em um estado determinado. Também não entendo poder como modo de sujeição que por oposição à violência, tenha a forma da regra."
"O poder está em toda a parte; não porque englobe tudo , mas porque provém de todos os lugares."
Não não, é mais complexa com certeza a questão: o poder (de reprimir ou de incitar) não existe em um só lugar e em uma direção apenas, "o que existe são práticas ou relações de poder" que ocorrem em "níveis variados e em pontos diferentes da rede social", "estados de poder instáveis".
Como Machado de Assis ilustrou no seu Brás Cubas através do episódio do negro Prudêncio, o oprimido torna-se o opressor de acordo com a sua possibilidade, ele passa adiante a violência da qual foi alvo, horizontalmente ou verticalmente.
"O poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e móveis".
* Foucault - historia da sexualidade vol I.
Outro exemplo é a protagonista do engraçadíssimo e cruel filme "Bem vindo à casa de bonecas" de Todd Solondz, sofrendo todo tipo de perseguição na escola por ser feia e sem graça a menina tem um único amigo, um garoto estranho e afeminado. Num momento de fúria ela "desconta" as violências sofridas no coitado. Provavelmente - o filme não mostra- mas esse amigo iria passar prá frente o tratamento recebido...
Logo não existem algozes e vítimas e sim ambos num só indivíduo.
Quando somos um e quando somos o outro? Eis a questão...
Foucault desprende-se da ingenuidade dos marxistas que afirmavam haver oprimidos e opressores, sempre numa relação vertical de coação e com locais fixos dentro da pirâmide social.
"Dizendo poder, não quero significar 'o Poder', como conjunto de instituições e aparelhos garantidores da sujeição dos cidadãos em um estado determinado. Também não entendo poder como modo de sujeição que por oposição à violência, tenha a forma da regra."
"O poder está em toda a parte; não porque englobe tudo , mas porque provém de todos os lugares."
Não não, é mais complexa com certeza a questão: o poder (de reprimir ou de incitar) não existe em um só lugar e em uma direção apenas, "o que existe são práticas ou relações de poder" que ocorrem em "níveis variados e em pontos diferentes da rede social", "estados de poder instáveis".
Como Machado de Assis ilustrou no seu Brás Cubas através do episódio do negro Prudêncio, o oprimido torna-se o opressor de acordo com a sua possibilidade, ele passa adiante a violência da qual foi alvo, horizontalmente ou verticalmente.
"O poder se exerce a partir de inúmeros pontos e em meio a relações desiguais e móveis".
* Foucault - historia da sexualidade vol I.
Outro exemplo é a protagonista do engraçadíssimo e cruel filme "Bem vindo à casa de bonecas" de Todd Solondz, sofrendo todo tipo de perseguição na escola por ser feia e sem graça a menina tem um único amigo, um garoto estranho e afeminado. Num momento de fúria ela "desconta" as violências sofridas no coitado. Provavelmente - o filme não mostra- mas esse amigo iria passar prá frente o tratamento recebido...
Logo não existem algozes e vítimas e sim ambos num só indivíduo.
Quando somos um e quando somos o outro? Eis a questão...
sábado, 23 de julho de 2011
SERIA O DINHEIRO O NOVO SEXO ?
As pessoas estão estabelecendo relações de satisfação e saciedade com o consumo.
Tudo o que foi descrito acerca das neuroses sexuais poderia ser transposto para o ato de comprar?
Seria então o dinheiro o novo parceiro nas relações?
O sexo foi trocado pelo consumo?
Ou a consumação do sexo foi trocada pelo consumo?
Tudo o que foi descrito acerca das neuroses sexuais poderia ser transposto para o ato de comprar?
Seria então o dinheiro o novo parceiro nas relações?
O sexo foi trocado pelo consumo?
Ou a consumação do sexo foi trocada pelo consumo?
DINHEIRO, DEUS E ABSTRAÇÃO
No livro "Dinheiro- Sanidade ou loucura?" Axel Capriles fala do dinheiro como um dos processos que permitiram a evolução do homem.
Não foi a criação de ferramentas o que possibilitou os avanços tecnológicos- estas foram consequências, mas sim a mudança na forma de ver o mundo, o que fez com que o homem saísse de seu estágio bestial.
Esse passo importante na diferenciação do homem dos demais animais foi o desenvolvimento da capacidade de abstração. Essa abstração se deu em duas vertentes, uma material e outra metafísica, digamos assim:
Na metafísica o homem "criou Deus", no sentido que percebeu processos que não eram cabíveis apenas a sí e aos demais seres vivos. Ele foi capaz de conceber uma divindade, e passou a criar simbolismos que dessem conta dessa relação do divino com o mundo físico. O plano metafísico passa a influênciar nas suas ações, e é por isso que o homem passa a enterrar seus mortos, a ritualizar suas ações, como a busca de alimento...
No Plano prático "criou o dinheiro"- a outra abstração.
Com as trocas o homem passou inicialmente a exercitar sua mente no sentido de traçar equivalências: X bois valem...X peixes? E posteriormente com a criação do dinheiro a necessidade de abstrair foi ficando maior: meus 2 bois valem 30 conchas. Era realmente atribuir à um objeto qualquer um valor simbólico, "de mentirinha": dinheiro é qualquer coisa que se atribua determinado valor desde que haja pessoas que aceitem essa "convenção". Esta ação é a mesma que nós fazemos hoje, ou nossas crianças, o processo é igual.
Em ambos, Deus e o dinheiro são abstrações, são processos onde se confere um supra-valor a algo que em sí não existe, é neutro, é vazio, é nada.
(Deus pode existir ou pode não existir depende da vontade do sujeito)
Uma vez que é nada, pode ser tudo também.
Uma vez que é vazio pode ser preenchido por qualquer coisa.
Deus é potência e nesse sentido o dinheiro também.
É como uma caixa vazia que colocamos o que quisermos.
Então o dinheiro tão material, tantas vezes acusado de sórdido, de corruptor, é na verdade tão impalpável como Deus, e tão importante no desenvolvimento do homem quanto ele.
Dizem que cada um tem o seu Deus, ou o Deus que merece, "que te cabe", "em que caibam suas crenças" por assim dizer.
Acho que dessa forma posso dizer que "cada um tem o dinheiro que merece", ou "que te reflete".
Não foi a criação de ferramentas o que possibilitou os avanços tecnológicos- estas foram consequências, mas sim a mudança na forma de ver o mundo, o que fez com que o homem saísse de seu estágio bestial.
Esse passo importante na diferenciação do homem dos demais animais foi o desenvolvimento da capacidade de abstração. Essa abstração se deu em duas vertentes, uma material e outra metafísica, digamos assim:
Na metafísica o homem "criou Deus", no sentido que percebeu processos que não eram cabíveis apenas a sí e aos demais seres vivos. Ele foi capaz de conceber uma divindade, e passou a criar simbolismos que dessem conta dessa relação do divino com o mundo físico. O plano metafísico passa a influênciar nas suas ações, e é por isso que o homem passa a enterrar seus mortos, a ritualizar suas ações, como a busca de alimento...
No Plano prático "criou o dinheiro"- a outra abstração.
Com as trocas o homem passou inicialmente a exercitar sua mente no sentido de traçar equivalências: X bois valem...X peixes? E posteriormente com a criação do dinheiro a necessidade de abstrair foi ficando maior: meus 2 bois valem 30 conchas. Era realmente atribuir à um objeto qualquer um valor simbólico, "de mentirinha": dinheiro é qualquer coisa que se atribua determinado valor desde que haja pessoas que aceitem essa "convenção". Esta ação é a mesma que nós fazemos hoje, ou nossas crianças, o processo é igual.
Em ambos, Deus e o dinheiro são abstrações, são processos onde se confere um supra-valor a algo que em sí não existe, é neutro, é vazio, é nada.
(Deus pode existir ou pode não existir depende da vontade do sujeito)
Uma vez que é nada, pode ser tudo também.
Uma vez que é vazio pode ser preenchido por qualquer coisa.
Deus é potência e nesse sentido o dinheiro também.
É como uma caixa vazia que colocamos o que quisermos.
Então o dinheiro tão material, tantas vezes acusado de sórdido, de corruptor, é na verdade tão impalpável como Deus, e tão importante no desenvolvimento do homem quanto ele.
Dizem que cada um tem o seu Deus, ou o Deus que merece, "que te cabe", "em que caibam suas crenças" por assim dizer.
Acho que dessa forma posso dizer que "cada um tem o dinheiro que merece", ou "que te reflete".
quinta-feira, 21 de julho de 2011
MÚSICA E SILÊNCIO...
Eu aprendi com um amigo que a música é composta de sons, mas também de silêncio.
Não é a quantidade de sons que define a música, mas os silêncios...
E quanto mais refinada, maiores eles são...
Observando as pessoas pude perceber que muito daquilo que se fala, se fala calando...
E aquilo que não está escrito às vezes é mais forte do que aquilo que foi escrito.
Assim como os melhores compositores, os melhores escritores são os que sabem calar.
No ápice do processo que relaciona silêncio e linguagem Clarice Lispector dizia que a sua busca era fazer a linguagem falar o que não podia ser falado - o inefável.
Em nossa forma menor nós falamos, sem palavras, o que não pode ser falado o tempo todo...
Isso é uma abstração às vezes muito difícil de explicar:
Como o ar, está lá, é responsável por inúmeros fenômenos, mas você não vê.
Ele move moinhos, mas você não vê...
"Não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz; é preciso tentar determinar as diferentes maneiras de não dizer, como são distribuídos os que podem e os que não podem falar, que tipo de discurso é autorizado ou que forma de discrição é exigida a uns e outros. Não existe um só, mas muitos silêncios e são parte integrante das estratégias que apóiam e atravessam os discursos."
Michel Foucault
*Eu adoro o Foucault ele é um mestre em dizer o que foi silenciado dentro do que foi dito.
Quando comecei a estudar literatura a minha obsessão era entender o que estava por detrás do que era dito, ou seja o não-dito. Era até difícil de explicar, prá que os outros pudessem me ajudar, o que eu estava buscando: aquilo que existia mas não estava lá.
Hoje eu sei que o quê está lá, está no silêncio.
Talvez por isso eu ande tão calada...
Não é a quantidade de sons que define a música, mas os silêncios...
E quanto mais refinada, maiores eles são...
Observando as pessoas pude perceber que muito daquilo que se fala, se fala calando...
E aquilo que não está escrito às vezes é mais forte do que aquilo que foi escrito.
Assim como os melhores compositores, os melhores escritores são os que sabem calar.
No ápice do processo que relaciona silêncio e linguagem Clarice Lispector dizia que a sua busca era fazer a linguagem falar o que não podia ser falado - o inefável.
Em nossa forma menor nós falamos, sem palavras, o que não pode ser falado o tempo todo...
Isso é uma abstração às vezes muito difícil de explicar:
Como o ar, está lá, é responsável por inúmeros fenômenos, mas você não vê.
Ele move moinhos, mas você não vê...
"Não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz; é preciso tentar determinar as diferentes maneiras de não dizer, como são distribuídos os que podem e os que não podem falar, que tipo de discurso é autorizado ou que forma de discrição é exigida a uns e outros. Não existe um só, mas muitos silêncios e são parte integrante das estratégias que apóiam e atravessam os discursos."
Michel Foucault
*Eu adoro o Foucault ele é um mestre em dizer o que foi silenciado dentro do que foi dito.
Quando comecei a estudar literatura a minha obsessão era entender o que estava por detrás do que era dito, ou seja o não-dito. Era até difícil de explicar, prá que os outros pudessem me ajudar, o que eu estava buscando: aquilo que existia mas não estava lá.
Hoje eu sei que o quê está lá, está no silêncio.
Talvez por isso eu ande tão calada...
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